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Readequação é foco dos empreendimentos turísticos

Readequação é foco dos empreendimentos turísticos

 

Edição 80 Revista Construir Nordeste – ENTREVISTA FELIPE CAVALCANTE – ADIT

 

 

 

O Nordeste brasileiro vem passando por uma revolução nos setores turístico e imobiliário. Apesar do potencial da região, com suas condições climáticas e belezas naturais, os investidores estão se reinventando para continuar fortes no mercado. Os empreendimentos estão sendo readequados para continuar recebendo os turistas que, sejam eles nacionais ou internacionais, desejam conforto para extrair o máximo de proveito durante a estadia. Apesar da estagnação, a ADITAssociação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro – está comprometida em continuar fortalecendo o setor. A Construir Nordeste conversou com o presidente da instituição, Felipe Cavalcante sobre o atual panorama da região e quais as expectativas para o futuro no campo turístico.

 

  1. Com a atual situação econômica do Brasil, houve redução dos complexos turístico-residenciais?

Sim, desde a crise em 2008/2009 o Nordeste vem sofrendo um grande abalo, apesar de que houve até um boom de novos empreendimentos imobiliário-turísticos há uns três anos, porém mais voltados ao público local, regional. Mas naturalmente, o crescimento tende a retomar quando a economia voltar.

 

  1. A Adit acredita que a partir do segundo semestre haverá uma melhora nos investimentos imobiliários turísticos no Nordeste?

Não, ainda é muito cedo. Acreditamos que partir do ano que vem esse movimento ainda permaneça de maneira mais tímida a acontecer. Apesar de a paralisia política ter acabado, agora é esperar os resultados das ações na área econômica. E se por um lado, a parte imobiliária foi muito afetada, na parte turística em si, que inclui parte das nossas ações, principalmente no Nordeste, em vários casos, o impacto foi positivo, devido às poucas indústrias que não foram afetadas pela crise, ou que foram afetadas positivamente, devido à questão cambial. Então, entendemos que a partir da recuperação da economia, já nesse segundo semestre e início do próximo ano, o setor turístico volte a melhorar no Nordeste.

 

  1. Investidores estrangeiros continuam visando o Brasil?

O Brasil saiu da moda. E com os conflitos políticos, os pontos negativos foram sobressaltados, mesmo com o preço baixo do câmbio. Nós entendemos que nos próximos anos, como o Brasil está barato, os investidores voltarão, não necessariamente para determinado tipo de investimento de turístico imobiliário no Nordeste, apesar de a gente começar a ver alguns players se movimento nesse sentido, mas na economia como um todo. O Brasil está barato e eles voltarão aos investimentos aos poucos.

 

  1. A região Nordeste possui algum diferencial para atrair os investimentos turísticos, sem levar em consideração a condição climática?

Realmente a questão climática, a parte tropical do Brasil é o principal driver para os investimentos turísticos, especialmente para os turistas nacionais. Já para os internacionais continua sendo um sonho distante, em termo de escala, como acontece em outros destinos, como Caribe, etc. Acho que por algum tempo ainda a gente vai ter focar no mercado nacional. Obviamente que um voo a mais que vir da Europa contribui, mas não sustenta o desenvolvimento turístico do Nordeste. Fora isso, tem a questão de sazonal, o querosene, que devia ser mais baixo para estimular mais voos, a infraestrutura, a questão de saúde, uma série de outras questões que poderiam contribuir ao desenvolvimento do setor. Em resumo, se a gente tiver uma boa infraestrutura, segurança, que hoje está afetando muito o nordeste, nós conseguiremos trazer os turistas.

 

  1. Como os empresários estão repensando os empreendimentos no litoral?

Na verdade eles começaram a fazer isso com a crise em 2008/2009, quando grandes glebas de áreas foram adquiridas para a construção de megaempreendimentos, voltados para o mercado internacional, mas percebeu-se que esse mercado não existia. Com isso foram adaptados os empreendimentos para o mercado local, que em certa medida os consumiu. Porém, agora a maior adaptação que está sendo feita é o fracionamento das unidades. Contudo, esses empreendimentos de reestruturação imobiliária turísticos ainda não estão regulamentados pela lei, mas alguns destinos que tem uma concentração de parques temáticos como em Gramado, Olímpia e Caldas Novas têm tido grande sucesso.  Essa a adaptação mais recente nesta situação de crise que estamos vivendo.

 

  1. Como a associação está empenhada a ajudar os empresários a continuar expandindo?

A Adit tem como grande foco orientar e educar os empresários brasileiros. Temos feito várias ações em relação a isto, como lançamentos de livros e trazendo literaturas que ainda não existem no Brasil, incentivando os empresários. Temos também um grande foco em network. A Adit tem em seu DNA a geração de negócios. E estamos também muito antenados com a vanguarda, novos nichos de mercado para que os empresários possam tirar o máximo de proveito.

 

  1. Cada dia mais há preocupação em integrar com o meio ambiente. As questões socioambientais têm dificultado os investimentos?

Não há o que se reclamar com relação a isso. A gente não pode pensar em fazer empreendimentos que prejudiquem o meio ambiente, apesar de que qualquer empreendimento sempre existirá uma matriz com fatos positivos e negativos. Mas a consciência dos empresários é muito grande. Eles não fazem nada fora da lei, tudo licenciado. O grande inimigo não é o empreendimento regularizado, mas a ocupação irregular do solo; isso que tem que ser combatido. De qualquer maneira, com a Lei Complementar nº 140, que foi aprovada no Congresso, houve uma maior clareza sobre qual ente da Federação deve licenciar qual empreendimento. Além disso, a Adit também tem tentado orientar e educar os empresários de como lidar com essa oposição de empreendimentos, tendo inclusive lançado um livro chamado Nimby Wars recentemente, com o maior especialista americano no tema, onde são divulgadas táticas e estratégias de como lidar com esta oposição quando você está com toda a razão, mas setores da sociedade organizada contrários ao seu empreendimento são contrários, baseados em ideologias ou outros interesses para barrá-los.

 

Olho 1 – Nos próximos anos, como o Brasil está barato, os investidores voltarão. Se a gente tiver uma boa infraestrutura nós conseguiremos trazer os turistas.

 

Olho 2 – A gente não pode pensar em fazer empreendimentos que prejudiquem o meio ambiente. A consciência dos empresários é muito grande. O grande inimigo é a ocupação irregular do solo; isso que tem que ser combatido.

 

 

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