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ESCOLA SUSTENTÁVEL: CASO DO EDIFÍCIO URBANO VITALINO

ESCOLA SUSTENTÁVEL: CASO DO EDIFÍCIO URBANO VITALINO

 

Stela Fucale1, Amanda Pereira2, Carolina Peixoto2, Mayara Gomes2, Pedro Selva3

 

1 Professora Associada da Universidade de Pernambuco; 2 Estudantes de Graduação em Engenharia Civil da Universidade de Pernambuco; 3Bacharel em Arquiterura pela UFPE

O setor da construção civil é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social no Brasil, no entanto, é também um importante consumidor dos recursos naturais e energéticos, além de gerar uma grande quantidade de resíduos, que em geral são depositados de forma inadequada. A construção sustentável se mostra assim uma alternativa que oferece maior conscientização e responsabilidade, adaptando as necessidades de uso, produção e consumo humano, de modo que os recursos sejam preservados para as gerações futuras.

Em Recife, o Edifício Urbano Vitalino, quinta unidade do Colégio Fazer Crescer (CFC), localizado no bairro do Rosarinho, fez uso de diversos componentes sustentáveis ainda na fase de concepção de projeto. A edificação em estudo se trata da primeira construção sustentável do estado de Pernambuco no setor educacional, contendo 2.982,19 m² de área construída, distribuídos em quatro andares divididos em dois módulos, Foto 1.

 

fotoecopredio

 

 

 

 

 

 

Foto 1: Vista geral da edificação.

A fundação foi do tipo hélice continua, e o solo excedente foi reutilizado para aterro em outro terreno da escola que hoje funciona como estacionamento. A estrutura compreende pilares e vigas de aço galvanizado a fogo, além de lajes do tipo steel deck, elementos estes que compõem a construção modular, capaz de minimizar desperdício de matéria-prima e de tempo. Nas fachadas utilizou-se placas de ACM (chapas de alumínio composto), assim como os painéis isoeste, fornecendo isolamento térmico e acústico. Na vedação e separação de ambientes, foi utilizado drywall, reduzindo significativamente a quantidade de resíduos em relação ao uso de blocos cerâmicos para a mesma função.Outra estratégia utilizada para tornar a edificação mais sustentável foi a de não revestir com cerâmica o piso da escola, já que o processo de fabricação e transporte produz alta quantidade de CO2, sendo assim, foi adotado o piso do tipo concreto polido.

Para possibilitar a economia dos recursos hídricos, foi implementado um sistema de aproveitamento de água da chuva e água cinza (água livre de resíduos sólidos, proveniente das pias e chuveiros dos banheiros), no qual a água passa por uma estação de tratamento localizada dentro da escola, sendo utilizada posteriormente nas descargas de bacias sanitárias e mictórios bem como na irrigação dos jardins. A edificação possui ainda descargas do tipo dual flush e torneiras hidromecânicas nos banheiros, capazes de gerar uma maior economia de água. Também prevê um sistema de medição individualizada por meio de hidrômetros, permitindo a verificação de possíveis vazamentos e a identificação das áreas de maior consumo com os monitoramentos futuros.

Levando-se em consideração a carta bioclimática da cidade do Recife, a orientação da edificação foi escolhida para proporcionar o máximo de conforto térmico. Tendo em vista ainda o bem estar dos usuários, foram incorporados brises nas fachadas leste e oeste das salas de aula, a fim de fornecer proteção contra o ganho térmico. No caso da quadra esportiva, os brises além de fornecerem proteção possuem a capacidade de otimizar a luminosidade e ventilação naturais devido à presença de material isolante em sua composição. Outro exemplo de utilização da luz natural, foi a colocação de um telhado de vidro.

O projeto da edificação em estudo incluiu a implementação de mais um elemento sustentável no que diz respeito à proteção térmica, agora com o auxílio da vegetação : a construção de um jardim vertical (18,31m2) e um telhado verde (120 m²), este último capaz de promover isolamento térmico, proteção contra a radiação solar direta, redução da demanda de energia elétrica, resfriamento por evapotranspiração e diminuição do volume de águas pluviais direcionadas à rede de drenagem urbana contribuindo para a redução de enchentes (problemática recorrente na cidade do Recife).

Com o intuito de proporcionar energia a partir de fontes renováveis, a edificação inclui um sistema fotovoltaico, composto por painel solar com 126 módulos policristalinos e dois inversores, onde se estima uma geração de 71.268 kWh/ano. Conta-se também com o uso de luminárias para tecnologia LED e ar condicionados do tipo inverter, compondo um sistema energicamente mais eficiente.A Foto 2 exibe alguns dos elementos sustentaveis empregados.

 

estacionamento

A           solar B

 

painel  C             ventilacao  D

 

Foto 2: Alguns elementos sustentáveis da edificação: a) Estrutura metálica; b) Placa fotovoltaica;
c) Jardim vertical; d) Brises.

A Universidade de Pernambuco, por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, está em parceria com o CFC no desenvolvimento de pesquisas para avaliar indicadores de sustentabilidade ao longo do uso da edificação.Importante já destacar a grande minimização da geração de resíduos durante a construção, atingindo um valor de cerca 70% de redução se comparado ao método convencional de construção no Brasil. Tal resultado se deve, principalmente, à cautela na escolha dos materiais, com menores perdas, menor necessidade de recortes e maior possibilidade de padronização de medidas.

Vê-se, portanto, que é de fundamental importância a implementação de escolas sustentáveis para que as próximas gerações possam usurfruir dos recursos naturais e perpetuar o conhecimento sobre a sustentabilidade, além de mencionar as melhorias alcançadas tanto para a saúde quanto a produtividade dos alunos.

 

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